Ludwig Van Beethoven (Bona 1770 - Viena 1827 )

(Bona 1770 - Viena 1827 ) - Homem de origem simples, mas de grande sede de saber e de refinadas leitura, Beethoven destinou à música uma posição privilegiada dentro da sua visão do mundo
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" Ludwig Van Beethoven (Bona 1770 - Viena 1827 )



Intrdução

 Beethoven destinou à música uma posição privilegiada dentro da sua visão do mundo.
A sua música é pois, uma música carregada de ideias e idealidade, de vontade de combater por um projecto, por um futuro melhor, para sarar a dor da vida: uma música carregada de energia. 
Capaz, na dolorosa maturidade da sua vida sempre mais solitária, de propor soluções formais inéditas, foi um autor demasiado à frente do seu tempo, génio electricamente em contraste entre as exigências da rigorosa e articulada construção racional e a demanda, a exposição, a amplificação das mais humanas paixões.

A Vida

Ludwig Van Beethoven (Bona 1770 - Viena 1827 ) nasceu de uma falia de ascendência flamenga : o seu avô, também de nome  Ludwig (1712 - 1773 ), nascera em Malines e , cerca de 1731, estabelecera-se como músico em Bona. O seu pai Johann ( 1740 - 1792 ) era tenor na capelada corte e de sua  mulher Maria Magdalena Keverich ( 1746 - 1787 ) tivera sete filhos dos quais só sobreviveram Ludwig, Kaspar (1774 - 1815 ) e Johann ( 1776 - 1848 ).

Embora não sendo um menino prodígio, o jovem Ludwig depressa demonstrou singulares aptidões musicais. Recebeu lições de piano, órgão e violino do pai e de outros musicos menores. (...) Em 1787 foi para Viena a fim de estudar com Mozart, mas,  por pouco tempo depois foi obrigado a voltar a casa para assistir à mãe moribunda e provir à necessidade da família, abandonada pelo pai doravante completamente alcoolizado (...).


Viena : a fase da maturidade

Na vivíssima actividade músical que se desenvolvia naqueles tempos em Viena, Beethoven conseguiu distinguir-se bem depressa como óptimo executante e como brilhante improvisador de piano. (...) Onde depressa alcançou vasta fama como compositor e pôde viver durante alguns anos em plena segurança económica, graças à ajuda de generosos protectores. ( ... )

 O último decénio

Já em 1795 começaram a sentir-se os primeiros sintomas de surdez que progredindo lenta mas inexoravelmente até se tornar completa no último decénio de vida, atormentou todo o arco criativo de Beethoven, levando-o a um desesperado conforto expresso no testamento de Heiligensadt (1802) e favorecendo no músico, já por carácter desconfiado e pouco sociável, uma mais aguda misantropia. A grave doença não o impediu, todavia, de continuar a produzir e a acreditar nos valores positivos da vida. (... ) não se pode deixar de reconhecer na extraordinária força de ânimo e na sempre presente e inflexível tensão moral uma das máximas componentes do espírito beethoveniano.   
Características da obra

(...) Revelou-se sensível às novas instâncias do idealismo alemão e ao credo libertário e democrático nascido com a Revolução Francesa. (...)
(...) Beethoven distinguiu-se dos músicos que o procederam também por ter sempre corajosamente reivindicado a posição de livre, artista autónomo nas próprias escolhas artísticas existenciais. "
Boffi, Guido - História da Música Clássica, ed 70, Lisboa, 2015,pp137,138, 139

" A « melancolia » talvez se devesse à sua surdez. Esta  surdez, o mais terrível dos males do músico, começou a manifestar-se já em em 1796, e foi se agravando cada vez mais até que em 1820, Beethoven praticamente já não ouvia. No Outono de 1802 o compositor escreveu uma carta, conhecida como «testamento de Heiligenstadt», destinada a ser lida pelos seus irmãos após a sua morte ; nela descreve , em termos comoventes o seu sofrimento quando se apercebeu que a doença que o afectava era incurável :

Citada por Thayer´ Life of Beethoven, ver e ed por E. Forbes, Princeton,1967, pp. 304-306.

Tenho de viver quase só, como alguém que tivesse sido banido; só posso conviver com os homens na medida em que a absoluta necessidade o exige. Se me aproximo das pessoas sou tomado de um profundo terror e receio expor-me ao perigo de que alguém se aperceba do meu estado. E assim tem sido nestes seis meses que passei no campo (...) que humilhação para mim quando alguém a meu lado ouvia uma flauta ao longe e eu ouvia nada, ou alguém ouvia um pastor a cantar e eu nada ouvia. tais incidentes quase me levaram ao desespero, por pouco não pus termo à vida - só a minha arte deteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de transmitir tudo o que sentia ter dentro de mim (...) Oh Providência - concede-me ao menos um dia de pura alegria - há tanto tempo que a verdadeira alegria não ecoa no meu coração (...) .

Grant, Donald e Palisca, Claude

História da Música Ocidental, Lisboa Ed Gradiva, 2014, 6ªed, 2014 , p.548