Mouzinho da Silveira

Aí está quando a revolução liberal de 1820
Bookmark and Share
Aí está quando da revolução liberal de 1820, e logo após é nomeado administrador-geral das Alfândegas, sendo o homem certo para tal lugar: ao conhecimento das leis juntava a probidade e aliava ao interesse pe!a gestão da coisa pública, vistas inovadoras, desejos de reformas. Em 1823 é compelido a aceitar a pasta da Fazenda, convidado por D. João VI, mas pouco tempo está no lugar pois, em 1824, quando da Abrilada foi preso às ordens de D. Miguel. Cogitando sempre acerca do «bem público, governe quem governar», vai exilado para França onde, à luz do contraste entre Lisboa e Paris, entendeu melhor as raízes socioeconómicas do seu país. Enfronhando-se em estudos economistas, ia aprendendo e compreendendo os males da Pátria. Em Paris, encontra-o D. Pedro IV quando da abdicação do trono brasileiro, tendo-o nomeado ministro da Fazenda e da Justiça. ? No breve período de 1832 a 1833, Mouzinho empunhando o «machado da reforma», inicia uma série de medidas orientadas pelo pensamento de que Portuga] precisava de realizar no trabalho os meios de vida que tinha nas colónias (independência do Brasil). «Fazer entrar Portugal no grémio da Europa» e chegar ao «estado de civilização» das outras nações; a definição da responsabilidade pelos abusos do Poder contra a Liberdade e a segurança do indivíduo; libertação da terra, a principal riqueza nacional; repartir riquezas e aumentar a fortuna geral... «pois sem a terra livre em vão se invoca a liberdade política»; promoção do comércio ínterno e externo, reestruturação da «administração pública, do ensino, etc», foram muitas das medidas que impôs. Ocorria simplesmente que a estrura socioeconómica, de hierarquização burguesa que pretendeu instaurar, se defrontaria com forças muito enraízadas, de origem e estatuto nobre. Demitido e substituído por Silva Carva-lho, não esmoreceu a sua dedicação à causa liberal. Exilado de novo, voltou a Portugal em Í834, reocupando o seu antigo posto na alfândega, para o abandonar em 1836, deixando de todo a vida poíítica em 1840.

Adaptado de Serrão, Joel - Dicionário de História de Portugal