O Cinema

Nos laboratórios trabalha-se sem barulho, mas com intensidade, para tirar partido do entusiasmo suscitado por esta inovação
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Por um lado, a fábrica consagrada à emulsão das placas e dos papéis; por outro, o templo da nova invenção "proibido" àqueles que não pertençam aos serviços. Sobre caixilho de madeira estão enroladas bandas de película de dezasseis metros aproximadamente; saídas das câmaras são suspensas numa sala ao ar livre para secagem.

Vê-se, por vezes, M. Lumiere atravessar o pátio com um rolo fotográfico que eles próprios vão projectar na sala de experiências.

Em 25 de Janeiro de 1896, quatro semanas depois de Paris, ( ... ) Lião abre as portas a uma sala de cinema (...). Na sala são risos e gritos, exclamações sem fim que acompanham cada cena (...) "A chegada de um comboio à gare de Ciotat". A locomotiva avança e cresce até vir precipitar-se sobre os espectadores que, intuitivamente, esboçam um movimento de recuo. ( ... )

Pouco depois, apresenta-se a primeira cena cómica ao ar livre, género que devia atingir a maior divulgação. O operador já não se contentava em copiar a vida; preparava cenas em vez de as captar simplesmente, primeiro exemplo de um cenário muito modesto, mas cujas fases sucessivas eram devidas à imaginação do realizador.

Felix Mesguich, Tour de manivelle in Troux, Recueils de textes de Histoire