Neoclassicismo

O movimento artístico setecentista do Ocidente
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O movimento artístico setecentista do Ocidente de reacção contra o que se chamou de "extremismos" do barroco e do rococó, iniciou-se em Portugal cerca de 1760 e dilatou-se pelo século XIX, combatido embora pelo romantismo desde cerca de 1840-1850. Manifestou-se primeiro na arquitectura, acompanhado da persistência barroca do norte (até cerca de 1880), e pelo surto de ensaios neogóticos no centro do país (cerca de 1790). A divulgação do novo estilo coube a artistas estrangeiros que trabalhavam em Portugal (Bibi-ena, Azzolini, etc), a artistas nacionais pensionados em Itália (José da Costa e Silva, Vieira Portuense, etc), e ao ensino ministrado nas "aulas de Desenho". A urgência de reconstrução parcial de Lisboa após 1755, impôs o novo estilo, em padrões simplificados e económicos que despontaram no "pombalino", adaptando formas dos templos gregos e romanos, recorrendo a pórticos dóricos e jónicos (pavilhão ocidental do Palácio de Queluz; Teatro de D. Maria II; Palácio da Ajuda; Palácio da Bolsa, no Porto. etc). Na escultura, avulta Machado de Castro, João José de Aguiar (executante de "D. Ma-ria I", em Queluz). Na pintura, foram comuns os temas alegóricos e mitológicos nos dois artistas mais notáveis, ambos desviados do neoclassicismo à David: Vieira Portuense e Domingos de Sequeira. O novo estilo reflectiu-se nas artes decorativas, tanto na ourivesaria, como na porcelana e no azulejo. O novo estilo faz-se sentir também no Brasil, sobretudo desde a chegada da corte, em 1808 (no Teatro de São João, no Rio, cerca de 1813, etc).

Adaptado de Serrão, Joel - Dicionário de História de Portugal