Arte Parietal

Os homens do início da idade da rena arrancavam das paredes de certas cavernas a camada argilosa que as cobria; cavando os seus dedos na massa argilosa, deixavam aí sulcos, mais ou menos profundos ou covas justapostas; isto não era arte mas traços
Bookmark and Share

Os homens do início da idade da rena arrancavam das paredes de certas cavernas a camada argilosa que as cobria; cavando os seus dedos na massa argilosa, deixavam aí sulcos, mais ou menos profundos ou covas justapostas; isto não era arte mas traços ( ... ) Sentiram prazer em repeti-los, complicando-os, aumentando-lhes o valor decorativo. ( ... )

Quando o espírito estava bastante evoluído para transformar em figuras os traços deixados pelo percurso dos dedos sobre as paredes passaram à figuração livre.

O realismo visual predominará nos desenhos reproduzidos voluntariamente (...). Desenvolver-se-á particularmente nas populações dedicadas à caça onde a vista desempenha um papel importante. (...)

Na base de urna tal reacção artística está o conhecimento profundo das formas animais. Os caçadores de mamutes, rinocerontes, ursos, grandes veados, etc., acumularam ao longo da sua vida movimentada, fortes impressões visuais e dinâmica. Foram eles que criaram e desenvolveram a arte parietal das cavernas francesas, a do Levante espanhol e a das rochas pintadas e gravadas da África saariana e austral: por toda a parte, foi o caçador de grandes animais que engendrou a arte naturalista. ( ... )

Não foi um capricho individual que produziu as cavernas pintadas. Se, no início foram necessárias algumas poderosas individualidades para descobrirem a expressão artística, fornecendo as primeiras bases, o desenvolvimento da arte parietal testemunha um controlo e um interesse colectivos excepcionais.

- ABBÉ HENRI BREUIL in RENÉ HUYGHE, (dir) L 'Art et l'Homme