Hominização

A hominização não é somente o que apareceu, mas o que desapareceu, é a extinção das espécies que foram triunfantes, talvez cada uma delas abatida como caça, devorada pela seguinte
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O LENTO PROCESSO DE HOMINIZAÇAO
Admitindo que o homem é o resultado de um muito complexo e longo processo de hominização, seremos tentados a voltar à base, isto é ao primata que desceu das árvores para caminhar no chão.
De início o hominídeo distingue-se do chimpanzé, não pelo peso do cérebro, nem provavelmente pelas suas aptidões intelectuais, mas pela locomoção bípede e estatura vertical. Desde então, a posição erecta é o elemento decisivo que vai libertar a mão da função locomotora. A oposÍção do polegar aumentando a força e a precisão na preensão, vai fazer da mão um instrumento polivalente: De repente o bipedismo abre a possibilidade da evolução que conduz ao homo sapiens: a posição erecta liberta a mão, a mão liberta o queixo, a verticalização e a libertação do queixo libertam a caixa craniana das dificuldades mecânicas que antes pesavam sobre ela e esta torna-se apta a alargar-se em favor de um inquilino mais volumoso ( ... ).
A hominização não é somente o que apareceu, mas o que desapareceu, é a extinção das espécies que foram triunfantes, talvez cada uma delas abatida como caça, devorada pela seguinte. Não é uma espécie que evolui desde os primeiros hominídeos ao homo sapiens; numa duração imensa, em que o meio natural se modifica lentamente e em que se multiplicam indivíduos e grupos sociais, deram-se saltos esporádicos de espécie para espécie, de sociedade para sociedade, de indivíduo para indivíduo.

EDGAR MORIN, Le paradígme perdu: la nature humaíne