O Homem de Pequim

O Homem de Pequim conhecia, pois, o uso do fogo e, sem dúvida, a cozedura dos alimentos. A sua alimentação devia ser à base de carne de cervídeos e, por vezes, de carneiro ou de cavalo.
Apreciava as bagas silvestres. Era um grande caçador, mas ignorava ainda as armadilhas e outros processos mais evoluídos de caçar; servia-se indubitavelmente de lanças de madeira desprovidas de ponta de pedra ou de chifre
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«o mais antigo representante do género humano, na China, é conhecido a partir de 1923 pela designação de Sinanthropus Pekinensis ou, mais simplesmente, homem de Pequim.
Porém, a partir de 1963 é um parente mais antigo, o Sinanthropus Lantianensis ou homem de Lan-t' ien, que ocupa as atenções em primeiro lugar. Lan-t'ien é o nome da cidade próxima do local onde foi feita a descoberta; a colina de Kong-Wang, situada a cerca de 50 km a sudoeste de Si-negan, capital de Chensi. Junto de uma camada de terra vermelha, com a altura de 30 metros, foi encontrado o maxilar de uma mulher que, característica até aí reservada ao Homo Sapiens, não possuía dentes do siso. Em 1964, o aparecimento da parte superior da caixa craniana permitiu reconstituir a forma completa do crânio. Na mesma camada de terreno, a cerca de um quilómetro deste local, apareceram quartzos trabalhados com a forma de pontas e raspadores (...) A abóbada craneana do Homem de Lan-t' ien é maior que a do macaco superior, a superfície interna do osso frontal tem uma saliência pronunciada e a cana do nariz saliente: estas características observadas, juntas a outras, levaram os cientistas à conclusão de que se trata de um hominídeo ou antropóide. À luz dos elementos estudados, o homem de Lan-t' ien é hoje considerado o mais antigo antropóide, pois viveu há 500 ou 600 mil anos.
O Homem de Pequim, mais novo, teria cerca de 500 mil anos de idade (...). Junto dos restos encontrados, apareceu um grande número de utensílios em forma de fragmentos ou lascas, machados de pedra e raspadores; diferentemente do Homem de Lan-t' ien, seu antepassado, o Homem de Pequim, além de pedaços de quartzo, utilizava, frequentemente, o sílex. O aspecto deste material, muito semelhante ao dos utensílios de seixos rolados da tradição meridional, liga-o à indústria da pedra do Sudeste da Ásia. Particularmente interessante foi a descoberta de vestígios de fogo nas pedras, nos torrões e nos ossos calcinados.
O Homem de Pequim conhecia, pois, o uso do fogo e, sem dúvida, a cozedura dos alimentos. A sua alimentação devia ser à base de carne de cervídeos e, por vezes, de carneiro ou de cavalo.
Apreciava as bagas silvestres. Era um grande caçador, mas ignorava ainda as armadilhas e outros processos mais evoluídos de caçar; servia-se indubitavelmente de lanças de madeira desprovidas de ponta de pedra ou de chifre.»

M. VADIME ELISSEEFF, in «Trésors d'Art Chillois - Catalogue,» Petit Palais, Paris, 1973, págs. 6, 70