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Arte Parietal

Last updated on Junho 12, 2022

Os homens do início da idade da rena arrancavam das paredes de certas cavernas a camada argilosa que as cobria; cavando os seus dedos na massa argilosa, deixavam aí sulcos, mais ou menos profundos ou covas justapostas; isto não era arte, mas traços.

Sentiram prazer em repeti-los, complicando-os, aumentando-lhes o valor decorativo.

Quando o espírito estava bastante evoluído para transformar em figuras os traços deixados pelo percurso dos dedos sobre as paredes passaram à figuração livre.

O realismo visual predominará nos desenhos reproduzidos voluntariamente. Desenvolver-se-á particularmente nas populações dedicadas à caça onde a vista desempenha um papel importante.

Na base de uma tal reação artística está o conhecimento profundo das formas animais. Os caçadores de mamutes, rinocerontes, ursos, grandes veados, etc., acumularam ao longo da sua vida movimentada, fortes impressões visuais e dinâmica.

Foram eles que criaram e desenvolveram a arte parietal das cavernas francesas, a do Levante espanhol e a das rochas pintadas e gravadas da África sariana e austral: por toda a parte, foi o caçador de grandes animais que engendrou a arte naturalista.

Não foi um capricho individual que produziu as cavernas pintadas. Se, no início foram necessárias algumas poderosas individualidades para descobrirem a expressão artística, fornecendo as primeiras bases, o desenvolvimento da arte parietal testemunha um controlo e um interesse coletivos excecionais.

Abbé Henri Breuil in René Huyghe, (dir) L ‘Art et l’Homme